
Quem é cinéfilo sabe que a Sala 8 do antigo “Unibanco Arteplex” e do agora extinto “Espaço Itaú de Cinema” já era praticamente um patrimônio cultural da cidade. Ali sempre passaram os pequenos-grandes filmes, aqueles que o grande público praticamente nem sabia que existiam. Por ali passaram os grandes autores, as renovações estéticas, os nomes emergentes, as experimentações. A pequenez da sala tornava ela ainda mais acolhedora, mais “canchera”, menos cinema de shopping. Ali passaram muitos filmes que não passaram em nenhuma outra sala na cidade. Ali também foram incontáveis as vezes em que vi sessões com não mais que 2 ou 3 espectadores (isso falando num contexto antes da pandemia, obviamente). Não só guardei este ingresso até o fim daquela sessão em 2005, como sigo guardando há 16 anos. É uma daquelas coisas meio tolas de cinéfilo-colecionador, querendo guardar o ingresso daquele que já se anunciava como um possível último filme do Michelangelo Antonioni. Mas eram esses encantos que trazia a Sala 8. Agora que já informaram que o cinema seguirá (mas sem o Unibanco-Itaú para bancar), fica aquele sentimento de um ciclo que se termina e outro que será iniciado não se sabe quando e como. Espero, pelo menos, que a sala 8 siga sendo o que sempre foi. Sem ela, será apenas mais um cinema de shopping.